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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A espera de um milagre



Milagre do Amor. Esse era o nome oficial da atual novela das seis, Desejo Proibido. Bem sugestivo, não é? Então por que a troca?

Nada escapa aos ouvidos da emissora carioca, e à sombra do primeiro boato de que "só um milagre salvaria o horário das seis", a emissora correu e trocou o nome da trama antes que o comentário se alastrasse imprensa a fora. Mas ainda é possível ver pelos sets as placas de construção com o antigo nome.

Acontece que nem os milagres e nem as tentações de algo proibido foram suficientes. O desejo tem deixado a desejar, e não alcança sequer os índices da antecessora Eterna Magia, que já era apontada como fracasso. O resultado disso é a recente notificação de encurtamento do projeto, literalmente correndo atrás do prejuízo.

Comentários maldosos correm dentro da própria emissora. De produção para produção, a antiga deixa recadinhos apimentados para a atual: "mesmo estando ruim, a gente estava melhor..."

O que nos resta é ter um pouco de paciência e aguardar a próxima cartada da CGP, na esperança de que um verdadeiro milagre realmente aconteça. Duas coisas são certas: Walcyr Carrasco é o dono da faixa das seis, e temas ousados não voltam tão cedo ao horário.

domingo, 4 de novembro de 2007

Fim de Eterna Magia


Além da estréia do humorístico 'O Sistema', essa semana mereceu atenção com fim de 'Eterna Magia', a primeira novela de Elizabeth Jhin para a TV Globo. Marcada por desencontros, a trama logo perdeu a estabilidade. Não por falta de talento da autora, diretores ou casting, muito pelo contrário. O grande erro da novela foi tratar de um tema que não agrada seu público-alvo: magia e terceira idade. Erro primário, há tempos não cometido pela emissora carioca. O último de que me lembro foi 'As filhas da mãe', novela que sucedeu 'Um anjo caiu do céu', que bateu recordes no horário.

O tema de Eterna Magia é interessantíssimo, tem cativado o publico jovem, e até mesmo o mais adulto. É só ver o sucesso de 'As brumas de Avalon', 'O senhor dos anéis' e 'Harry Potter'. Então, o que não deu certo dessa vez? Primeiro que estamos tratando de linguagens diferentes. TV é muito mais abrangente que o Cinema. Apesar de poder mudar de canal, você não pode interferir na programação da emissora (vamos ver como fica com a TV digital); já no conforto do Cine, você escolhe qual gênero quer assistir e a que horas quer assistir. Outro detalhe muito importante é a extensão do produto. Tratar de "bruxarias" por duas horas é muito diferente de estender o assunto meses a fio. Mesmo sendo sutil, o tema se torna pesado, e as cenas mais sutis ficam agressivas. Talvez em uma minissérie a temática poderia ter sido melhor desenvolvida. Confesso que, mesmo não simpatizando com Paulo Coelho, gostaria de 'O diário de um mago', microssérie engavetada há anos.

Voltando à novela, vejamos alguns pontos-chave do último episódio. Apenas duas coisas me decepcionaram. Primeiro foram os efeitos da metamorfose de Zilda (Cássia Kiss) e a saída Mauro (Fábio Keldani) do quadro. Tecnicamente bem feitos, porém já manjados. Zilda esfarelava em demasia, e os efeitos começam lentos evoluindo numa continuidade aceleradíssima. No caso de Mauro, só a ponta do quadro onde ele estava preso aparecia no ar, e de repente ele aparecia liberto. Preguiça da equipe de efeitos especiais. Outro detalhe eram os cartazes da turnê de Eva (Malu Mader) pelo mundo, em diversas línguas. Inserts de muito bom gosto por sinal, mas ininteligível pela maioria. Não custava uma legenda com o nome dos países ou a amostra de pontos turísticos de destaque.

Por outro lado, as passagens de tempo foram muito bem feitas. Enfatizo a cena em frente a confeitaria, onde as personagens passavam em ritmo frenético, dando a sensação de tempo corrido. O casamento de Conrado (Thiago Lacerda) e Nina (Maria Flor) foi simples e lindo; e Eva retomou seu bom caminho. O atentado e a morte de Peter (Pierre Kiwitt) foram muito bem coreografados. Meus colegas vão pegar no meu pé, mas remetiam muito ao espetáculo final de O Fantasma da Ópera. Como em todo happy end, os fatos foram previsíveis, mas agradáveis.

Vale a pena chamar a atenção para Marco Pigossi e Milena Toscano, intérpretes de Miguel e Elisa. Jovens e estreantes atores que mostraram muita segurança, bom gosto na interpretação e boa dosagem das emoções. É bom ficar de olho, vamos ter ótimas surpresas com eles pela frente! Maria Flor estava ótima em sua primeira protagonista! Também me agradou ver Ana Carolina Godoy, que tem crescido muito como atriz, desde sua estréia em Bambuluá. Osmar Prado, Irene Ravache, Aracy Balabanian e Cássia Kiss dispensam comentários. Só não posso deixar passar em branco a presença inigualável de Cleide Yácones, que abrilhantou a novela com sua presença nas cenas da boa avó. Bom vê-la na telinha, sempre!

Agora é esperar para ver o que vai acontecer com Desejo Proibido. O tema é certeiro para a terceira idade: a religiosidade. Nos moldes de A Padroeira, a trama promete trazer de volta os pontinhos no Ibope perdidos pela antecessora.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Quase Eterna Magia


Pois bem, alguns devem estar se perguntando até hoje como Eterna Magia conseguiu entrar no ar... Confesso que eu mesmo sou uma dessas pessoas. É sabido por todos nós que há temas censurados até a última hipótese na TV Globo. Antônio Calmon, por exemplo, propôs na década de 90 uma novela que tratava sobre extraterrestres. Sinopse rejeitada, o mesmo autor incluiu o assunto em Começar de Novo, que escrevia junto com Elizabeth Jhin, mas logo teve de mudar seus rumos.


E essa mesma dona Elizabeth Jhin, autora da novela em questão, ganhou sua carta de alforria e propôs a tal sinopse mágica. Para espanto geral da nação, foi aprovada, sucedendo uma série de produtos ligados ao espiritualismo. Sim, espiritualismo, pois o espiritismo só foi mencionado no último capítulo de O Profeta, numa das falas do casamento de Marcos e Sônia. Mas isso é assunto pra outro dia.


Voltado à Eterna Magia, nada contra o assunto, mas era patente que não ia alçar vôo. Faixa das 6h é, principalmente, voltada pra terceira idade (não é à toa que a maioria das produções é de época e bem água-com-açúcar!). E, desculpem a franqueza, velho por acaso gosta de bruxaria? Gente, eles vêm de uma época que isso realmente assustava! Meus avós que o digam, me contavam altas histórias de sexta feira santa, lobisomem, etc etc... tanto que eles mesmos pararam de ver a dita cuja.


E não deu outra! Em menos de dois meses a coisa mudou de rumo, e mesmo assim não engatou! Corre daqui, conserta de lá, tenta fazer respirar alguém que tá quase morrendo sufocado... num deu. Foi um tal de trocar perfil de personagem, arranjar novas funções, trazer gente de volta, que deu um nó na cabeça dos velhinhos, coitados (e até na minha)! Tanto que mal se fala em Valentinas!


Caso à parte mesmo foi Paulo Coelho. Aquele homem deve ter um pacto com o diabo, só pode. Escreve mal e vende pra cara...mba! E ainda vem dar uma de ator pra cima de mim? Já me basta a ABL, que eu não engoli até hoje! Tanto é que, quando a novela mudou de rumo, sua segunda participação especial (?) foi dispensada... até o quadro dele que figurava no Museu das Valentinas foi tirado de cena (junto com o próprio museu). Ah, e sem esquecer que a sinopse de O Diário de um mago, microssérie de três capítulos, foi rejeitada pela alta cúpula há poucos anos atrás! É minha gente... algo tem nessa história que eu ainda não sei...


Final das contas? Encurtaram a novela. E olha que o orçamento não era dos mais baixos, com direito a gravação na Irlanda e tudo mais! Já vem por aí Desejo Proibido, de Walter Negrão, mais uma produção de época (por que será?), tentando recuperar os pontinhos (valiosos) perdidos no Ibope... mas tomara que no fim disso tudo, a escritora ganhe um voto de confiança e continue fazendo bem seu trabalho, como sempre fez. Afinal de contas, quem não comete um erro pelo menos uma vez na vida?

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